Se eu pudesse viajar no tempo…
1º
Se eu pudesse viajar no tempo, viajava para a época do fundador de Portugal, D. Afonso Henriques, para o ajudar a expulsar os mouros do nosso futuro país.
Se eu pudesse viajar no tempo, viajava para o século XV, para a altura dos Descobrimentos, para ajudar o Infante D. Henrique e velejar com Vasco da Gama., sentir a felicidade deles ao ver que conseguiram descobrir um novo mundo.
Se eu pudesse viajar no tempo, iria para a época do Marquês de Pombal, ajudar na reconstrução da nossa cidade, Lisboa menina e moça. Ajudaria a reconstruir a baixa pombalina, que ficou destruída após o terramoto que devastou Lisboa, que ceifou milhares de vidas e que preocupou centenas de famílias.
Se eu pudesse viajar no tempo, transportava-me para a época do 25 de Abril, para participar na revolução que deu liberdade de expressão, direitos aos trabalhadores e voz aos portugueses.
Se eu pudesse viajar no tempo, viajaria ao dia em que foram as eleições que deram o poder ao Sócrates e alteraria os resultados, para não cairmos na pobreza em que ele nos colocou.
Se eu pudesse viajar no tempo, iria para o futuro, conhecer o ainda por conhecer, descobrir o indescoberto, curar o que ainda não foi curado, e fazer o que não foi feito.
Se eu pudesse viajar no tempo… Vamos ser realistas, foi bom imaginar que podia, mas não posso, se alguém pudesse, já teria mudado muita coisa.
Diogo Patacão, 7ºA
2º
Olhava o tecto. Bem, tecnicamente não olhava, pois a escuridão do meu quarto não mo permitia. Há algum tempo que tentava adormecer, sem sucesso.
A história da minha mãe não me saía da cabeça. Tudo aquilo me custava a creditar. Um aparelho que permitia viajar no tempo? Naaaaão! Não pude deixar de pensar na possibilidade de tal máquina existir. Acredito que muitas pessoas pagariam para a ter.
Imaginei-me na posse de uma. Poderia viajar para qualquer época que me aprouvesse. Visitaria os dinossauros, os homens das cavernas. Avançaria para os egípcios, os gregos, os romanos. Iria à Idade Média, visitaria o tempo do Renascimento, do Iluminismo. Poderia até viajar para o futuro, quando os homens já não necessitarem de se movimentar para obter algo, graças à alta tecnologia. Poderia visitar outros planetas.
Tudo isto passava pela minha mente num alucinante remoinho de pensamentos. Mas, a pouco e pouco, abrandei e o sono levou consigo a minha fantasia.
Ana Lúcia Tiago, 8ºA
3º
Naquela manhã pensei que ia ser o melhor dia da minha vida. Achava que os anos de pesquisa, de trabalho árduo, os muitos anos de vida perdidos, na solidão do laboratório, finalmente dariam frutos. Naquele dia eu iria testar a minha maior e melhor invenção: a máquina do tempo. “Hoje em dia existem demasiados estereótipos sobre o aspecto e o funcionamento da máquina do tempo.” – era a frase que mais dizia naquela altura.. Toda a gente achava que a minha máquina seria igual às dos filmes, uma grande máquina, em forma de cabine, onde as pessoas entrariam e seriam transportadas para outro lugar, mas a minha máquina não tinha nada a ver. Era uma caixa de pequenas dimensões, tinha cerca de vinte por trinta centímetros na base e dez centímetros de altura, tinha um teclado e um pequeno ecrã de lado, onde se digitava a data e. logo a seguir, éramos transportados. Havia também um objecto que funcionava com a máquina e que era uma espécie de relógio com um pequeno botão; era com essa engenhoca que se regressava ao nosso tempo, sem ela ficávamos presos na época para a qual viajámos.
Voltando ao presente, lembrei-me que, nesse momento, tinha de ir trabalhar. O meu laboratório não ficava longe dali, apenas a cinco quilómetros pela auto-estrada, um caminho rápido e sem obstáculos. Quando já ia na auto-estrada, algo terrível me aconteceu: um carro preto, blindado e com vidros escuros vinha a seguir-me, acelerei e esse foi o meu maior erro… O meu seguidor apercebeu-se de que tinha reparado nele e rapidamente se colocou a meu lado; de repente, fui puxado do meu veículo e perdi os sentidos.
Tinha sido raptado! Quando acordei, estava deitado numa placa de ferro, amarrado com correntes, com uma pulseira eléctrica no pulso esquerdo e uma enorme dor de cabeça devido à pancada que tinha apanhado; tinha ainda um enorme e latejante corte no peito. Foi quando a dor me assaltou que reparei que estava num laboratório, dispendiosamente apetrechado, onde predominavam os tubos de ensaio e as pipetas, bem como lasers e serras, algo que eu não queria experimentar! E então notei que, no laser, apontado para mim, estava inscrito o símbolo do governo. E foi nessa altura que comecei a gritar:
- Socorro! Socorro! Seus tarados, sabem quem eu sou? Soltem-me! Socorro!!
E foi no meio dessa gritaria infindável que os meus raptores chegaram. Eram dois, já os tinha visto antes, na semana anterior deparara-me diversas vezes com eles. A mulher era morena, muito alta e tinha os olhos verdes, da cor das algas, que me avaliavam continuamente de cima a baixo, com esperança de que eu me acalmasse e lhes dissesse o que sabia. Já a tinha visto anteriormente, apenas dois dias antes, a sair do meu gabinete; não sabia o que lá tinha ido fazer, pois não me lembrava de ter marcado uma reunião a essa hora, vi-a sair com uma pasta na mão, talvez fossem documentos meus, mas nessa altura não me lembrei disso. Também tinha, diversas vezes, visto esta mulher a sair do meu prédio, quando eu chegava a casa, mas não me pareceu suspeita. Havia também um homem louro, com pele bastante bronzeada e olhos castanhos da cor da terra, que se entretinha a girar por entre os dedos uma caneta azul e branca da BIC. Eu tinha-o visto no dia anterior, a passear na rua em frente à minha casa. Eram demasiadas coincidências! No meio dos meus devaneios, o homem parara de rodar a caneta e a mulher preparava-se para falar:
- Senhor Nuno Lima, não é verdade?
- Soltem-me! O que querem de mim? - perguntei eu, aos berros.
- Queremos apenas que use a sua máquina para… - disse a senhora dos olhos verdes.
- Onde estão as tuas maneiras? – interrompeu o homem da caneta – Eu sou o João Carlos e ela é a Serina Alcobia. E o que a Serina estava a dizer é que o governo prevê que, no futuro, vai haver uma revolução, um golpe de estado, e se vai instalar a anarquia e…
- Precisamos que vá, com uma equipa dos serviços secretos, à data prevista e que impeça o golpe, pois se a revolução se der, haverá guerras e muita gente vai morrer.
- Então, se precisam assim tanto de mim, porque é que me bateram, me prenderam com correntes, me feriram o peito e colocaram um laser apontado para mim?
- Procedimentos normais. – respondeu João, divertido com a situação – E o corte no peito foi sem querer.
- Sem querer?!
- O senhor bateu no ferro da nossa carrinha quando o transportávamos para a nossa viatura. – explicou João – Mas, afinal, o senhor aceita ou não?
- Tenho escolha? – perguntei com sarcasmo.
Eles soltaram-me, deram-me uma morada e, antes de me ir embora, Serina disse-me:
- A sua viatura está nas traseiras. Amanhã vá ter com o grupo dos serviços secretos no local e na hora indicados.
Nessa noite deitei-me muito cedo, ainda não tinha conseguido digerir toda a informação. Anarquia? Golpe de estado? Serviços secretos? João e Serina vinham de um mundo desconhecido, o Mundo do Governo.
No dia seguinte, acordei de madrugada e dirigi-me logo para o local, às oito da manhã. Levava a máquina do tempo e o relógio – “relógio recambiador”, como lhe tinha chamado – muito bem guardados. Quando lá cheguei, ainda estive algum tempo à procura da tal equipa. Encontrei-os sentados a um canto, a conversar, e eu ouvi-os dizer:
- Se esse tal inventor tiver mesmo uma máquina do tempo, para que época pediriam para ir?
- Se eu pudesse viajar no tempo, eu iria para o passado, gostava de viver no tempo das invasões e lutar com os bárbaros.
- Eu iria para o futuro, travar guerras com os extraterrestres.
- Eu iria para o tempo mais pacífico que houvesse, estou farto de lutar. Gostava de me fixar e criar família.
- Vamos lá, rapazes! – disse eu, interrompendo os seus pensamentos – Temos uma revolução para impedir! – E lá fomos, pela primeira vez na história, ao futuro.
Quando chegámos, tivemos uma grande desilusão. Esperávamos guerras, tiros no meio da rua, mas tudo estava em perfeita paz e harmonia. Aparentemente, a ideia da minha irmã, Mónica, tinha sido aceite, pois todas as habitações eram abaixo do solo, tendo apenas o jardim visível. As únicas construções visíveis eram monumentos e locais públicos, como lojas, escolas e pavilhões desportivos, o que fazia as cidades parecerem ainda mais verdes e em harmonia.
Como tudo estava bem, nós teríamos de voltar ao presente em breve, mas alguns quiseram ficar e eu lá cedi.
Quando cheguei, fui imediatamente contar à minha irmã o que tinha sucedido e como a sua ideia seria aceite no futuro. Ao voltar, choquei com uma rapariga muito bonita, com a pele branca como a neve e o cabelo dum castanho tão escuro que era quase preto. Voltei a olhar para ela e reconheci-a, tinha sido da minha turma na faculdade e um grande amor meu, nunca a tinha esquecido desde que ela recebeu o diploma e se foi embora para o estrangeiro com uma bolsa de estudo.
Anos mais tarde, ela casou comigo e tivemos um lindo filho, que na verdade se parecia com o João Carlos.
- E foi assim, meu filho, que eu conheci a tua mãe. – disse ao meu filho. Depois daquela ocasião, nunca mais mexi na máquina e não sei se a guerra aconteceu mesmo.
- Pai – disse o meu filho – Se eu pudesse viajar no tempo, deitava abaixo o governo.
Muito mais tarde, a guerra chegou. Foi o meu filho que se rebelou contra o governo e, naquela altura, nada tinha acontecido, porque ele ainda não tinha nascido!
Mónica Lima, 7ºC
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