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Concurso de Escrita Criativa - Grupo 2


No Concurso de Escrita Criativa, o Grupo 2 era o dos alunos do 9º e do 10º anos.


O tema: Sonho ou Realidade?

Os alunos concorreram em muito menor número que nos outros grupos e os trabalhos que surgiram tinham pouca qualidade; daí se ter apurado apenas um vencedor:

Sonho ou Realidade?
SONHOS TRAÇADOS PELA REALIDADE
Caminhava pelas ruas vazias evitando gente, mas cada pessoa, cada rosto que via era sempre o de alguém melhor que ela. Dos seus olhos escorriam o receio e a dúvida, como escorrem as lágrimas. A segurança era algo que nunca habitara aquele corpo e a timidez revelava-se a cada passo que dava.
Chegou, finalmente, a casa. Pousou a mala na entrada e foi até à casa de banho. Despiu-se e tomou um duche, tentando limpar não só o corpo, mas também a mente. Quando chegou ao quarto, olhou pela janela e viu que chovia. A água inundava as ruas e lavava os vidros da janela. Ouviu um trovão, mas não conseguiu sorrir. Costumava dizer ao irmão mais novo para não se preocupar, que quando havia uma trovoada eram os anjos a tirarem-lhes fotografias e ele fazia um sorriso enorme, daqueles sorrisos que só as crianças sabem fazer.
Recostou-se na cama, tentou esboçar um pequeno sorriso e o rosto encheu-se de lágrimas. Adormeceu, embalada pela água que batia na janela ao seu lado.
***
À sua frente desenhava-se um buraco negro, escuro, do qual não se via o fim. Todo ele era escuridão, lembrava medos e dúvidas que não queria recordar. E, de repente, ela passara a fazer parte desse buraco e caía, caía sem nunca encontrar o fim. Choviam vozes que lhe diziam que não valia nada, que ninguém gostava dela, vozes que lhe gritavam que desaparecesse, que lhe atiravam frases de desprezo, que…
Sem aviso, viu-se numa casa velha e abandonada que ameaçava ruir a qualquer instante. Encontrava-se à entrada do sótão, de onde podia observar toda a divisão. A luz entrava, ténue, pela janela do pequeno quarto e incidia nos poucos objectos que habitavam o local. Do lado esquerdo, velhas estantes cobriam a parede e, ao lado, estava o que em tempos fora uma secretária. Por toda a parte abundavam o pó e as teias de aranha. Ninguém entrava ali havia anos. Olhou, então, para a direita: em frente às estantes, via-se um armário consumido pelo tempo; um pouco mais adiante, apesar da pouca luz, vislumbrava-se uma cama. Percebia-se que alguém vivera ali, mas quem?
E foi, então, que o sótão desapareceu e se deparou com a sua própria sala, os seus próprios pais, mas o ambiente em nada era igual ao que conhecia. O silêncio invadia a sala, apenas interrompido, por vezes, por um breve soluçar. Sentia a visão distorcida devido às lágrimas. Chorava. Chorava sem conseguir parar, não sabendo quanto mais tempo duraria o sofrimento.
Há muito que sabia o que estava para acontecer., mas nunca pensara que esse dia chegasse. O desespero abalava-a. Tão embrenhada estava nos seus pensamentos, que não reparou que, nos olhos dos pais, também as lágrimas ameaçavam cair. Subitamente, desejou que o tempo parasse. Mas o momento chegara. Finalmente, a porta bateu.
E chorou, chorou tudo o que não tinha chorado, mas as lágrimas cessaram assim que o espaço mudou, de novo, sem ela ter tempo de perceber porquê.
Surgiu na sua frente um espaço estranho, diferente, mas do qual tinha uma vaga ideia. Era uma gruta negra, envolvida pela escuridão, onde a luz do exterior não penetrava. Apenas algumas velas, espalhadas pelo espaço pequeno em que se encontravam, permitiam espreitar os rostos de cada um. A rocha era áspera e o chão frio e duro, mas ninguém se queixava.
Um homem deu início à reunião. Era novo, mas forte e os seus olhos transmitiam uma confiança e uma determinação imbatível. Muitos o admiravam, embora também houvesse quem o temesse.
- Este grupo tem de fugir. O facto de sermos diferentes leva muitos a odiarem-nos, achando que somos um perigo para a sociedade. Têm vários espiões espalhados pelo território e não hesitarão em aniquilar-nos.
Ouviu-se um burburinho na assistência. No grupo, encontravam-se alguns animais, animais que falavam e que tinham, praticamente, as mesmas capacidades que o homem. Todos os outros eram, também, diferentes, uns tinham mais um membro, mais uma cabeça, outros tinham pêlos de diversas cores que os cobriam por completo. O tal homem retomou a palavra:
- Vamos fugir agora mesmo.
Todos se levantaram fazendo perguntas e tecendo comentários para o lado. O que seria a sua vida a partir dali? Iriam abrigar-se do outro lado das montanhas, isso sabiam, mas conseguiriam chegar lá sem percalços?
De repente, todos se viraram para uma mulher jovem. Estava sentada de olhos abertos, mas brancos. Todos sabiam o que isso significava e observavam-na ansiosos. Quando voltou ao espaço onde se encontrava, os seus olhos derramaram lágrimas de desespero. Esperava-os uma dura batalha e muitos não sobreviveriam.
Violeta abstraiu-se de tudo o que a rodeava, estava confusa. Olhou para si mesma tentando encontrar o motivo de estar ali, o que a diferenciava dos outros. Visões variadas cruzaram-se, assustou-se com pensamentos de outros, medos dela própria, interpretações do que via e sentia que a condenavam sem deixar uma porta aberta. Os estados de espírito iam e vinham, alternando entre um leve contentamento e uma tristeza profunda, entre o engano e a raiva, entre a esperança e o desespero.
Gritou, gritou e expulsou tudo o que a incomodava, todos os medos, receios, dúvidas e tristezas. No final, sentou-se no vazio, estava mais calma. Uma luz despertou ao fundo, a luz que tinha estado adormecida todo aquele tempo. E ela correu, correu para ela, para a apanhar com medo que anoitecesse, novamente.
Acordou de repente, banhada em suor. Demorou algum tempo a perceber o que se tinha passado. Os vários momentos cruzavam-se sem lhe darem descanso. Tinha sido um sonho estranho, uma mistura de farrapos da realidade, dúvidas, medos, receios, histórias que tinha escrito, livros que tinha lido…
Levantou-se e foi sentar-se à secretária, precisava de escrever. Pegou num papel e numa caneta. Estranhamente, nesse dia saiu algo diferente, seguiu a intuição e transformou em verso o que lhe ia na alma:

Libertem-me deste sufoco,
deste ritmo que me abala,
tragam-me a calma que se expira,
a paz que não se instala.

Parem toda esta chuva
que cai em meu redor,
que me tortura o pensamento,
que me tolda o discernimento
e que venha outra luz
ofuscar-me o sofrimento.

Olhou para o que acabara de escrever. Admirou-se. Nem parecia dela, mas soubera-lhe bem. Conseguiu gostar do que escrevera e ficou satisfeita, mas sentiu necessidade de escrever um pouco mais.
E no fim, já não sei o que na minha mente é real ou imaginado, porque tudo no meu pensamento é confusão e não consigo distinguir o sonho da realidade. As dúvidas permanecem e a tristeza alastra, dando lugar ao desespero. Adormeço, e nos meus sonhos pairam vestígios da realidade misturando-se com medos e esperanças vãs de que tudo acabe.
Sentiu-se melhor, tinha libertado sentimentos negativos que só a afastavam do caminho certo. Algo acordara dentro de si. Não iria deixar aquela luz escapar-se novamente, a porta abrira-se para a deixar passar de vez.
Raquel Casteleiro, 9ºE

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