quinta-feira, 30 de junho de 2011

As bibliotecas escolares são essenciais

Artigo muito interessante, da profª Margarida Toscano, no DN:

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1890187

Concurso de Escrita Criativa - Grupo 2


No Concurso de Escrita Criativa, o Grupo 2 era o dos alunos do 9º e do 10º anos.


O tema: Sonho ou Realidade?

Os alunos concorreram em muito menor número que nos outros grupos e os trabalhos que surgiram tinham pouca qualidade; daí se ter apurado apenas um vencedor:

Sonho ou Realidade?
SONHOS TRAÇADOS PELA REALIDADE
Caminhava pelas ruas vazias evitando gente, mas cada pessoa, cada rosto que via era sempre o de alguém melhor que ela. Dos seus olhos escorriam o receio e a dúvida, como escorrem as lágrimas. A segurança era algo que nunca habitara aquele corpo e a timidez revelava-se a cada passo que dava.
Chegou, finalmente, a casa. Pousou a mala na entrada e foi até à casa de banho. Despiu-se e tomou um duche, tentando limpar não só o corpo, mas também a mente. Quando chegou ao quarto, olhou pela janela e viu que chovia. A água inundava as ruas e lavava os vidros da janela. Ouviu um trovão, mas não conseguiu sorrir. Costumava dizer ao irmão mais novo para não se preocupar, que quando havia uma trovoada eram os anjos a tirarem-lhes fotografias e ele fazia um sorriso enorme, daqueles sorrisos que só as crianças sabem fazer.
Recostou-se na cama, tentou esboçar um pequeno sorriso e o rosto encheu-se de lágrimas. Adormeceu, embalada pela água que batia na janela ao seu lado.
***
À sua frente desenhava-se um buraco negro, escuro, do qual não se via o fim. Todo ele era escuridão, lembrava medos e dúvidas que não queria recordar. E, de repente, ela passara a fazer parte desse buraco e caía, caía sem nunca encontrar o fim. Choviam vozes que lhe diziam que não valia nada, que ninguém gostava dela, vozes que lhe gritavam que desaparecesse, que lhe atiravam frases de desprezo, que…
Sem aviso, viu-se numa casa velha e abandonada que ameaçava ruir a qualquer instante. Encontrava-se à entrada do sótão, de onde podia observar toda a divisão. A luz entrava, ténue, pela janela do pequeno quarto e incidia nos poucos objectos que habitavam o local. Do lado esquerdo, velhas estantes cobriam a parede e, ao lado, estava o que em tempos fora uma secretária. Por toda a parte abundavam o pó e as teias de aranha. Ninguém entrava ali havia anos. Olhou, então, para a direita: em frente às estantes, via-se um armário consumido pelo tempo; um pouco mais adiante, apesar da pouca luz, vislumbrava-se uma cama. Percebia-se que alguém vivera ali, mas quem?
E foi, então, que o sótão desapareceu e se deparou com a sua própria sala, os seus próprios pais, mas o ambiente em nada era igual ao que conhecia. O silêncio invadia a sala, apenas interrompido, por vezes, por um breve soluçar. Sentia a visão distorcida devido às lágrimas. Chorava. Chorava sem conseguir parar, não sabendo quanto mais tempo duraria o sofrimento.
Há muito que sabia o que estava para acontecer., mas nunca pensara que esse dia chegasse. O desespero abalava-a. Tão embrenhada estava nos seus pensamentos, que não reparou que, nos olhos dos pais, também as lágrimas ameaçavam cair. Subitamente, desejou que o tempo parasse. Mas o momento chegara. Finalmente, a porta bateu.
E chorou, chorou tudo o que não tinha chorado, mas as lágrimas cessaram assim que o espaço mudou, de novo, sem ela ter tempo de perceber porquê.
Surgiu na sua frente um espaço estranho, diferente, mas do qual tinha uma vaga ideia. Era uma gruta negra, envolvida pela escuridão, onde a luz do exterior não penetrava. Apenas algumas velas, espalhadas pelo espaço pequeno em que se encontravam, permitiam espreitar os rostos de cada um. A rocha era áspera e o chão frio e duro, mas ninguém se queixava.
Um homem deu início à reunião. Era novo, mas forte e os seus olhos transmitiam uma confiança e uma determinação imbatível. Muitos o admiravam, embora também houvesse quem o temesse.
- Este grupo tem de fugir. O facto de sermos diferentes leva muitos a odiarem-nos, achando que somos um perigo para a sociedade. Têm vários espiões espalhados pelo território e não hesitarão em aniquilar-nos.
Ouviu-se um burburinho na assistência. No grupo, encontravam-se alguns animais, animais que falavam e que tinham, praticamente, as mesmas capacidades que o homem. Todos os outros eram, também, diferentes, uns tinham mais um membro, mais uma cabeça, outros tinham pêlos de diversas cores que os cobriam por completo. O tal homem retomou a palavra:
- Vamos fugir agora mesmo.
Todos se levantaram fazendo perguntas e tecendo comentários para o lado. O que seria a sua vida a partir dali? Iriam abrigar-se do outro lado das montanhas, isso sabiam, mas conseguiriam chegar lá sem percalços?
De repente, todos se viraram para uma mulher jovem. Estava sentada de olhos abertos, mas brancos. Todos sabiam o que isso significava e observavam-na ansiosos. Quando voltou ao espaço onde se encontrava, os seus olhos derramaram lágrimas de desespero. Esperava-os uma dura batalha e muitos não sobreviveriam.
Violeta abstraiu-se de tudo o que a rodeava, estava confusa. Olhou para si mesma tentando encontrar o motivo de estar ali, o que a diferenciava dos outros. Visões variadas cruzaram-se, assustou-se com pensamentos de outros, medos dela própria, interpretações do que via e sentia que a condenavam sem deixar uma porta aberta. Os estados de espírito iam e vinham, alternando entre um leve contentamento e uma tristeza profunda, entre o engano e a raiva, entre a esperança e o desespero.
Gritou, gritou e expulsou tudo o que a incomodava, todos os medos, receios, dúvidas e tristezas. No final, sentou-se no vazio, estava mais calma. Uma luz despertou ao fundo, a luz que tinha estado adormecida todo aquele tempo. E ela correu, correu para ela, para a apanhar com medo que anoitecesse, novamente.
Acordou de repente, banhada em suor. Demorou algum tempo a perceber o que se tinha passado. Os vários momentos cruzavam-se sem lhe darem descanso. Tinha sido um sonho estranho, uma mistura de farrapos da realidade, dúvidas, medos, receios, histórias que tinha escrito, livros que tinha lido…
Levantou-se e foi sentar-se à secretária, precisava de escrever. Pegou num papel e numa caneta. Estranhamente, nesse dia saiu algo diferente, seguiu a intuição e transformou em verso o que lhe ia na alma:

Libertem-me deste sufoco,
deste ritmo que me abala,
tragam-me a calma que se expira,
a paz que não se instala.

Parem toda esta chuva
que cai em meu redor,
que me tortura o pensamento,
que me tolda o discernimento
e que venha outra luz
ofuscar-me o sofrimento.

Olhou para o que acabara de escrever. Admirou-se. Nem parecia dela, mas soubera-lhe bem. Conseguiu gostar do que escrevera e ficou satisfeita, mas sentiu necessidade de escrever um pouco mais.
E no fim, já não sei o que na minha mente é real ou imaginado, porque tudo no meu pensamento é confusão e não consigo distinguir o sonho da realidade. As dúvidas permanecem e a tristeza alastra, dando lugar ao desespero. Adormeço, e nos meus sonhos pairam vestígios da realidade misturando-se com medos e esperanças vãs de que tudo acabe.
Sentiu-se melhor, tinha libertado sentimentos negativos que só a afastavam do caminho certo. Algo acordara dentro de si. Não iria deixar aquela luz escapar-se novamente, a porta abrira-se para a deixar passar de vez.
Raquel Casteleiro, 9ºE

quarta-feira, 29 de junho de 2011

De mão em mão


As Bibliotecas Municipais de Oeiras vão iniciar uma campanha de recolha e partilha de livros escolares (manuais).
Aceitam os livros escolares usados de 2009 e 2010 para disponibilizar aos estudantes do Município de Oeiras. Para mais informações contacte as Bibliotecas Municipais de Oeiras.
Contam consigo!
‎1.º lugar no Reino Unido
Ao longo de três semanas, a edição inglesa de A Mentira Sagrada foi escalando a tabela de livros mais vendidos no Reino Unido e atingiu, no top divulgado anteontem pela revista Bookseller, o 1.º lugar! Luís Miguel Rocha está de parabéns!

Críticas de imprensa
Ele cometeu o pecado de escrever de forma interessante e vigorosa criando no leitor a vontade, diria até o desejo, de ler até ao fim.

Nuno Santos, SIC


Aviso: não comece sequer a ler... se não tiver pela frente umas horas livres. Vai ser muito difícil parar sem ser no fim... Não recomendável aos fracos de coração... ou débeis na fé.
João Paulo Sacadura, TVI


Depois de Luís Miguel Rocha, o Vaticano ficou mais próximo de Portugal e do Mundo, da nossa compreensão e da nossa incompreensão - só tenho a agradecer-lhe.
Rita Ferro, escritora


O Vaticano que se cuide! Este livro é imperdível.
Eric Frattini, escritor

terça-feira, 28 de junho de 2011

Entrega dos prémios aos vencedores do Grupo 1

Os vencedores do Grupo 1 (7º e 8º anos)

Se eu pudesse viajar no tempo…
Se eu pudesse viajar no tempo, viajava para a época do fundador de Portugal, D. Afonso Henriques, para o ajudar a expulsar os mouros do nosso futuro país.
Se eu pudesse viajar no tempo, viajava para o século XV, para a altura dos Descobrimentos, para ajudar o Infante D. Henrique e velejar com Vasco da Gama., sentir a felicidade deles ao ver que conseguiram descobrir um novo mundo.
Se eu pudesse viajar no tempo, iria para a época do Marquês de Pombal, ajudar na reconstrução da nossa cidade, Lisboa menina e moça. Ajudaria a reconstruir a baixa pombalina, que ficou destruída após o terramoto que devastou Lisboa, que ceifou milhares de vidas e que preocupou centenas de famílias.
Se eu pudesse viajar no tempo, transportava-me para a época do 25 de Abril, para participar na revolução que deu liberdade de expressão, direitos aos trabalhadores e voz aos portugueses.
Se eu pudesse viajar no tempo, viajaria ao dia em que foram as eleições que deram o poder ao Sócrates e alteraria os resultados, para não cairmos na pobreza em que ele nos colocou.
Se eu pudesse viajar no tempo, iria para o futuro, conhecer o ainda por conhecer, descobrir o indescoberto, curar o que ainda não foi curado, e fazer o que não foi feito.
Se eu pudesse viajar no tempo… Vamos ser realistas, foi bom imaginar que podia, mas não posso, se alguém pudesse, já teria mudado muita coisa.
Diogo Patacão, 7ºA


Olhava o tecto. Bem, tecnicamente não olhava, pois a escuridão do meu quarto não mo permitia. Há algum tempo que tentava adormecer, sem sucesso.
A história da minha mãe não me saía da cabeça. Tudo aquilo me custava a creditar. Um aparelho que permitia viajar no tempo? Naaaaão! Não pude deixar de pensar na possibilidade de tal máquina existir. Acredito que muitas pessoas pagariam para a ter.
Imaginei-me na posse de uma. Poderia viajar para qualquer época que me aprouvesse. Visitaria os dinossauros, os homens das cavernas. Avançaria para os egípcios, os gregos, os romanos. Iria à Idade Média, visitaria o tempo do Renascimento, do Iluminismo. Poderia até viajar para o futuro, quando os homens já não necessitarem de se movimentar para obter algo, graças à alta tecnologia. Poderia visitar outros planetas.
Tudo isto passava pela minha mente num alucinante remoinho de pensamentos. Mas, a pouco e pouco, abrandei e o sono levou consigo a minha fantasia.

Ana Lúcia Tiago, 8ºA


Naquela manhã pensei que ia ser o melhor dia da minha vida. Achava que os anos de pesquisa, de trabalho árduo, os muitos anos de vida perdidos, na solidão do laboratório, finalmente dariam frutos. Naquele dia eu iria testar a minha maior e melhor invenção: a máquina do tempo. “Hoje em dia existem demasiados estereótipos sobre o aspecto e o funcionamento da máquina do tempo.” – era a frase que mais dizia naquela altura.. Toda a gente achava que a minha máquina seria igual às dos filmes, uma grande máquina, em forma de cabine, onde as pessoas entrariam e seriam transportadas para outro lugar, mas a minha máquina não tinha nada a ver. Era uma caixa de pequenas dimensões, tinha cerca de vinte por trinta centímetros na base e dez centímetros de altura, tinha um teclado e um pequeno ecrã de lado, onde se digitava a data e. logo a seguir, éramos transportados. Havia também um objecto que funcionava com a máquina e que era uma espécie de relógio com um pequeno botão; era com essa engenhoca que se regressava ao nosso tempo, sem ela ficávamos presos na época para a qual viajámos.
Voltando ao presente, lembrei-me que, nesse momento, tinha de ir trabalhar. O meu laboratório não ficava longe dali, apenas a cinco quilómetros pela auto-estrada, um caminho rápido e sem obstáculos. Quando já ia na auto-estrada, algo terrível me aconteceu: um carro preto, blindado e com vidros escuros vinha a seguir-me, acelerei e esse foi o meu maior erro… O meu seguidor apercebeu-se de que tinha reparado nele e rapidamente se colocou a meu lado; de repente, fui puxado do meu veículo e perdi os sentidos.
Tinha sido raptado! Quando acordei, estava deitado numa placa de ferro, amarrado com correntes, com uma pulseira eléctrica no pulso esquerdo e uma enorme dor de cabeça devido à pancada que tinha apanhado; tinha ainda um enorme e latejante corte no peito. Foi quando a dor me assaltou que reparei que estava num laboratório, dispendiosamente apetrechado, onde predominavam os tubos de ensaio e as pipetas, bem como lasers e serras, algo que eu não queria experimentar! E então notei que, no laser, apontado para mim, estava inscrito o símbolo do governo. E foi nessa altura que comecei a gritar:
- Socorro! Socorro! Seus tarados, sabem quem eu sou? Soltem-me! Socorro!!
E foi no meio dessa gritaria infindável que os meus raptores chegaram. Eram dois, já os tinha visto antes, na semana anterior deparara-me diversas vezes com eles. A mulher era morena, muito alta e tinha os olhos verdes, da cor das algas, que me avaliavam continuamente de cima a baixo, com esperança de que eu me acalmasse e lhes dissesse o que sabia. Já a tinha visto anteriormente, apenas dois dias antes, a sair do meu gabinete; não sabia o que lá tinha ido fazer, pois não me lembrava de ter marcado uma reunião a essa hora, vi-a sair com uma pasta na mão, talvez fossem documentos meus, mas nessa altura não me lembrei disso. Também tinha, diversas vezes, visto esta mulher a sair do meu prédio, quando eu chegava a casa, mas não me pareceu suspeita. Havia também um homem louro, com pele bastante bronzeada e olhos castanhos da cor da terra, que se entretinha a girar por entre os dedos uma caneta azul e branca da BIC. Eu tinha-o visto no dia anterior, a passear na rua em frente à minha casa. Eram demasiadas coincidências! No meio dos meus devaneios, o homem parara de rodar a caneta e a mulher preparava-se para falar:
- Senhor Nuno Lima, não é verdade?
- Soltem-me! O que querem de mim? - perguntei eu, aos berros.
- Queremos apenas que use a sua máquina para… - disse a senhora dos olhos verdes.
- Onde estão as tuas maneiras? – interrompeu o homem da caneta – Eu sou o João Carlos e ela é a Serina Alcobia. E o que a Serina estava a dizer é que o governo prevê que, no futuro, vai haver uma revolução, um golpe de estado, e se vai instalar a anarquia e…
- Precisamos que vá, com uma equipa dos serviços secretos,  à data prevista e que impeça o golpe, pois se a revolução se der, haverá guerras e muita gente vai morrer.
- Então, se precisam assim tanto de mim, porque é que me bateram, me prenderam com correntes, me feriram o peito e colocaram um laser apontado para mim?
- Procedimentos normais. – respondeu João, divertido com a situação – E o corte no peito foi sem querer.
- Sem querer?!
- O senhor bateu no ferro da nossa carrinha quando o transportávamos para a nossa viatura. – explicou João – Mas, afinal, o senhor aceita ou não?
- Tenho escolha? – perguntei com sarcasmo.
Eles soltaram-me, deram-me uma morada e, antes de me ir embora, Serina disse-me:
- A sua viatura está nas traseiras. Amanhã vá ter com o grupo dos serviços secretos no local e na hora indicados.
Nessa noite deitei-me muito cedo, ainda não tinha conseguido digerir toda a informação. Anarquia? Golpe de estado? Serviços secretos? João e Serina vinham de um mundo desconhecido, o Mundo do Governo.
No dia seguinte, acordei de madrugada e dirigi-me logo para o local, às oito da manhã. Levava a máquina do tempo e o relógio – “relógio recambiador”, como lhe tinha chamado – muito bem guardados. Quando lá cheguei, ainda estive algum tempo à procura da tal equipa. Encontrei-os sentados a um canto, a conversar, e eu ouvi-os dizer:
- Se esse tal inventor tiver mesmo uma máquina do tempo, para que época pediriam para ir?
- Se eu pudesse viajar no tempo, eu iria para o passado, gostava de viver no tempo das invasões e lutar com os bárbaros.
- Eu iria para o futuro, travar guerras com os extraterrestres.
- Eu iria para o tempo mais pacífico que houvesse, estou farto de lutar. Gostava de me fixar e criar família.
- Vamos lá, rapazes! – disse eu, interrompendo os seus pensamentos – Temos uma revolução para impedir! – E lá fomos, pela primeira vez na história, ao futuro.
Quando chegámos, tivemos uma grande desilusão. Esperávamos guerras, tiros no meio da rua, mas tudo estava em perfeita paz e harmonia. Aparentemente, a ideia da minha irmã, Mónica, tinha sido aceite, pois todas as habitações eram abaixo do solo, tendo apenas o jardim visível. As únicas construções visíveis eram monumentos e locais públicos, como lojas, escolas e pavilhões desportivos, o que fazia as cidades parecerem ainda mais verdes e em harmonia.
Como tudo estava bem, nós teríamos de voltar ao presente em breve, mas alguns quiseram ficar e eu lá cedi.
Quando cheguei, fui imediatamente contar à minha irmã o que tinha sucedido e como a sua ideia seria aceite no futuro. Ao voltar, choquei com uma rapariga muito bonita, com a pele branca como a neve e o cabelo dum castanho tão escuro que era quase preto. Voltei a olhar para ela e reconheci-a, tinha sido da minha turma na faculdade e um grande amor meu, nunca a tinha esquecido desde que ela recebeu o diploma e se foi embora para o estrangeiro com uma bolsa de estudo.
Anos mais tarde, ela casou comigo e tivemos um lindo filho, que na verdade se parecia com o João Carlos.

- E foi assim, meu filho, que eu conheci a tua mãe. – disse ao meu filho. Depois daquela ocasião, nunca mais mexi na máquina e não sei se a guerra aconteceu mesmo.
- Pai – disse o meu filho – Se eu pudesse viajar no tempo, deitava abaixo o governo.

Muito mais tarde, a guerra chegou. Foi o meu filho que se rebelou contra o governo e, naquela altura, nada tinha acontecido, porque ele ainda não tinha nascido!
Mónica Lima, 7ºC

Vencedores do Concurso de Escrita Criativa

O Concurso de Escrita Criativa decorreu durante o 2º e 3º períodos. A iniciativa foi da Associação de Estudantes e a Biblioteca Escolar acolheu de muito bom grado a ideia.
Redigiu-se o regulamento, definiram-se os temas, divulgou-se tudo em diferentes suportes (ainda está na página da BE on-line)  e procedeu-se à avaliação dos trabalhos. A colaboração dos professores de Português foi muito importante. O júri foi constituído pela equipa da BE e teve a colaboração da Associação de Estudantes, que também conseguiu obter ótimos prémios, com o patrocínio da editora Saída de Emergência.
O concurso, aberto a todos os alunos, do 7º ao 12º ano, dividiu os concorrentes em 3 Grupos:
  • Grupo 1 - 7º e 8º anos 
 Tema: Se eu pudesse viajar no tempo

  • Grupo 2 - 9º e 10º anos
Tema: Sonho ou Realidade?

  • Grupo 3 - 11º e 12º anos
Tema: Este é o único tempo para...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Vencedores do concurso de Língua Portuguesa

CONCURSO DE LÍNGUA PORTUGUESA 2011

VENCEDORES

- Clara Vieira, 7ºD

- Carolina Matos, 7ºB

- Inês Montellano, 7ºA


A equipa da Biblioteca felicita as alunas vencedoras e agradece a todos os que participaram nas três etapas.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ainda Pessoa...

Se estou só, quero não estar,
Se não estou, quero estar só,
Enfim, quero sempre estar
Da maneira que não estou.

Ser feliz é ser aquele.
E aquele não é feliz
Porque pensa dentro dele
E não do que eu dele fiz.

A gente faz o que quer
Daquilo que não é nada,
Mas falha se o não fizer,
Fica perdido na estrada.

Que coisa é que nos agrada?

                                                2. 07. 1931

Pessoa nasceu há 123 anos...

Hoje, 13 de Junho, assinalam-se 123 anos sobre o nascimento de Fernando Pessoa.

As palavras de Almada Negreiros, na Ode a Fernando Pessoa, expressam bem a mestria e o génio literário do autor:

                                          "Tu que tiveste o sonho de ser a voz de Portugal
                                           tu foste de verdade a voz de Portugal
                                           e não foste tu!"


E porque é dia de Santo António, ficam aqui algumas quadras de Pessoa:

Quando passo um dia inteiro
Sem ver o meu amorzinho,
Corre um frio de Janeiro
no Junho do meu carinho.   (1920)


Quando me deste os bons dias
Deste-m'os como a qualquer,
Mais vale não dizer nada
Do que assim nada dizer.  (1934)

Duas horas vão passadas
Sem que te veja passar.
Que coisas mal combinadas
Que são amar e esperar!   (1934)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cartas Astrológicas de Fernando Pessoa

Hoje, ao folhear a revista "Tentações", anexa à "Sábado", encontrei um artigo intitulado "O Outro professor Karamba", referindo-se a Fernando Pessoa e ao seu gosto (ou seria paixão?) pela astrologia. Segundo o artigo, Pessoa ter-se-á guiado pelos manuais do astrológo inglês Alan Leo para criar os seus horóscopos.
"Um autêntico especialista, mas igualmente vaidoso: comparou os seus astros com os de Oscar Wilde, Shakespeare e Goethe.
Pouco consolo lhe terá dado, porém, a comparação: ao analisar o seu mapa astrológico, descobriu a importância, na sua vida, dos anos terminados em 5. E em 1935 morreu. Terá adivinhado?"

domingo, 5 de junho de 2011

Ainda a fotografia subaquática...

Palestra sobre fotografia subaquática






À exposição de algumas das melhores fotos subaquáticas de João Marcelino durante duas semanas na BE, seguiu-se uma palestra sobre esse fantástico mundo que tantas curiosidades suscitou em quem esteve presente.

À conversa com os livros...






Foi na 6ª feira, 13 de Maio, pelas 21 horas, que decorreu na BE a sessão "À conversa com os livros...".
Os oradores foram seis: três alunos e três professores, que falaram dos seus percursos como leitores, das leituras das suas vidas, e de muito mais.
Foi um prazer ouvi-los!

Link muito interessante

O MAIOR MUSEU VIRTUAL DO MUNDO:http://www.mystudios.com/artgallery/

Visita de alunos do 1º ciclo

Os alunos do 1º ciclo foram recebidos pelos alunos que integram o Conselho de Leitura da Biblioteca Escolar. Os objetivos foram os de dar a conhecer a nossa biblioteca, explicar como está organizada e o que podemos fazer e usufruir neste espaço.






Também observaram as exposições de trabalhos dos nossos alunos.

Também em retrospetiva, a lição de António Feijó

António Feijó, convidado pelo professor Carlos de Jesus, explicitou alguns aspetos da poesia de Fernando Pessoa e heterónimos.  

Ainda em retrospetiva, Semana do Jazz (em Fevereiro 2011)

A Comemoração da Semana do Jazz encerrou com um memorável serão ao som do grupo do Hot Club "João Espadinha Trio".

João Espadinha, guitarra; Romeu Tristão, contrabaixo; João Pereira, bateria.


A participação de Pedro Fialho, saxofone.

Marta Fatela interpretou diversos temas conhecidos na história do jazz. E fê-lo muito bem!

Em retrospetiva, a comemoração do Dia da Língua Materna

Mostra de livros e materiais digitais existentes na nossa Biblioteca.

Com o escritor Jorge Araújo

Os alunos das turmas C e D do 8º ano puderam aqui encontrar-se com o jornalista e autor do livro que leram e analisaram nas aulas de Português, com a profª Clara Santos. A obra é BEIJA-MIM e o autor Jorge Araújo. A curiosidade era muita, as questões oportunas.
 O autor respondeu a todas e, no final, autografou muitos livros.

Falando sobre o modo como as ideias surgem para escrever uma história.
 "Benjamim foi quem chegou primeiro. Sempre foi assim. Como era muito franzino, chegava até antes do seu pensamento. Por isso, naquele dia, ainda demorou algum tempo a estacionar as ideias, tarefa difícil,  os neurónios pareciam endiabrados, cada um a remar para seu lado, não estavam juntos no mesmo barco. Assim, era impossível encontrar o tino, reconheceu no primeiro ameaço de raciocínio. De seguida, completou o provisório entendimento, estava condenado ao desatino.
Respirou fundo para oxigenar a impaciência.
Benjamim sabia, ou melhor, pressentia, uma vez que ainda não tivera tempo para arrumar convenientemente as lembranças, que não podia estar ali por acaso. Alguma coisa lhe dizia que aquele não era uma dia como os outros, que aquele não era um lugar como os outros, tão-pouco um momento como os outros. Nem podia, há coisas que não enganam, mesmo quando, como era o seu caso, se joga por antecipação. As pessoas mais crescidas, que pensam muito e têm resposta para tudo, costumam chamar a isso sexto sentido. Mas ele, inquieto nos seus 12 anos, ainda não conhecia as palavras mais complicadas, faltava-lhe aprender aquele tipo de muletas, socorrer-se da experiência de vida." (Cap.I)
Beija-Mim é um romance que nos fala sobre a importância dos pequenos nadas. A fantasia da inocência, o desassossego da primeira vez. A verdade das palavras. O instante mágico em que a excitação toca a angústia, num fogo de artifício de emoções difícil de esquecer.

Ainda se lembra do seu primeiro beijo?

Partilha de leituras

Os alunos do 7º ano apresentaram as leituras seleccionadas por eles próprios.
Ouviram-se poemas, contos populares, excertos de narrativas, reflexões, tudo em língua portuguesa.

Novidades na BE - DVD - “ O sonho de Wadjda”, de Haifaa Al-Mansour - “O Ilusionista”, de Neil Burger - “Noé”, de Darren Aronofsky -...