A propósito do Dia Internacional da Mulher, a BE selecionou 20 portuguesas que se destacaram pelas suas ações, no seu tempo:
Lutadora incansável
dos direitos das mulheres. Médica de profissão, criou e dirigiu a Associação da
Propaganda Feminista. Republicana convicta, lutou pela eclosão da República em
1910 e foi a primeira médica operadora portuguesa. Em maio de 1911, no âmbito
das eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, tornou-se na primeira
mulher a votar numas eleições. Beatriz Ângelo, que já não tinha marido, criava
sozinha os seus filhos, exigiu que o tribunal reconhecesse o seu direito ao
voto, tendo exercido o seu direito nas eleições constituintes de 1911. Para
evitar que outras mulheres seguissem o seu exemplo, a lei foi alterada no ano seguinte,
com a especificação de que apenas os chefes de família do sexo masculino
poderiam votar.
ADELAIDE CABETE (1867-1935)
GUILHERMINA SUGGIA (1885- 1950)
IRENE LISBOA (1892-1958)
AMÉLIA REY COLAÇO (1898-1990)
LOURDES SÁ TEIXEIRA
(1907-1984)
Nascida em 1907, foi
a primeira aviadora portuguesa. Maria de Lourdes Sá Teixeira teve de vencer
a resistência da própria família e da sociedade da época para ser admitida
como aluna civil na Escola de Aviação Militar em 1925. Em 1928, com 21 anos de
idade, torna-se na primeira mulher aviadora portuguesa.
VIEIRA DA SILVA (1908-1992)
AMÁLIA RODRIGUES
(1920-1999)
RUTH GARCÊS (1934- 2006)
Licenciada em Direito
pela Universidade de Coimbra, em 1956, foi a primeira mulher a ingressar na
carreira de juiz, em 1977. Seguiu depois para o Tribunal da Relação de Lisboa,
onde foi também a primeira Juíza Desembargadora do país. Foi condecorada por
Jorge Sampaio, à data Presidente da República.
ROSA MOTA (1958)
CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO (1878-1911)
Nascida em Elvas, filha de operários, Adelaide de Jesus Damas
Brazão casou-se aos 18 anos, concluiu a instrução primária aos 22, terminou o
liceu aos 29 e licenciou-se em Medicina aos 33. "A proteção às mulheres grávidas pobres como meio de promover o
desenvolvimento físico de novas gerações", foi a sua tese de
licenciatura, em que, extravasando as fronteiras da ciência, propôs a criação
de uma lei que permitisse às trabalhadoras repousarem no último mês de
gravidez, beneficiando de um subsídio retirado dos lucros da empresa, do Estado
e de uma quotização entre os trabalhadores. E propunha a criação de
maternidades, creches, asilos para a infância, instituições de solidariedade
social... Um prenúncio das matérias que há de defender até ao fim da vida.
Republicana, feminista, lutou pelos direitos das mulheres, das crianças, dos
pobres, dos animais... Lutou por uma sociedade equitativa e saudável.
Abriu
as portas profissionais do violoncelo às mulheres. De facto, o considerável
gasto de energia exigido para manejar a envergadura do violoncelo, acrescido do
facto de as boas maneiras da época obrigarem a colocar o instrumento de um ou
outro lado do corpo obrigando a uma significativa contorção do dorso, tornavam
o instrumento ainda mais inacessível às executantes femininas. (Note-se que
ainda em 1930 o violoncelo era tido como um instrumento indecoroso para as
mulheres, sendo então proibida a contratação de violoncelistas mulheres pela
própria orquestra da BBC). Em 1937 foi agraciada com o
grau de Comendadora da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, uma honra raras vezes concedida a senhoras, e em 1944 com o grau de
Grande Oficial da Ordem Militar de Cristo. Em 1938 recebeu a Medalha de Ouro da cidade do Porto.
O seu nome lê-se em placas de escolas, bibliotecas, avenidas,
ruas, largos e pracetas, mas a sua obra poucos conhecem. "Tudo é dos
outros/e me foi sempre negado", escreveu a pedagoga inovadora. Escritora
de prosa e poesia, precursora da escrita moderna em Portugal, Irene do Céu
Vieira, impedida de dar aulas, sofre em silêncio, escrevendo, vendo os seus
artigos nos jornais serem censurados pelos mesmos que a proibiram de proferir
conferências. Mas não desiste. Será a única mulher entre 34 homens, no jantar
do 20º aniversário da revista de oposição democrática "Seara Nova",
em que colabora com nome de homem. Trinta e um anos após a sua morte, foi-lhe
atribuída a comenda da Ordem da Liberdade.
5
MARIA LAMAS (1893-1983)
Batizada com o nome de Maria da Conceição, nasceu em Torres
Novas, numa família da média burguesia. Pensou ser freira, foi jornalista,
escritora, feminista, lutadora... Pagou com a prisão e o exílio a defesa dos
seus ideais. E não queria cair no esquecimento: por diversas vezes dirá à filha
mais nova que não rasgue as suas cartas por ser importante que se conheça o seu
pensamento. Aos 81 anos, por uma questão de coerência de vida, filiou-se no
Partido Comunista Português. É um símbolo da luta pela emancipação da mulher e
pela democracia. Impossível esquecer o seu papel.
A figura mais marcante do teatro português no século passado.
Empenhou-se na dignificação social do ator, conquistando
para ele um estatuto de superioridade, à medida que organizava um reportório
ambicioso, à revelia da censura. Chamou pintores prestigiados para colaborarem na cenografia, Apostou muito em peças declamadas. Os
espetáculos em exibição foram muitas vezes baseados em obras de grandes
escritores portugueses (como Gil Vicente, Garrett, ou Eça de Queirós) e
internacionais (Arthur Miller, Tennessee Williams, Shakespeare).
7 EDMÉE MARQUES (1899-1986)
"Certifico que Branca Edmée Marques fez um trabalho
bastante útil no meu laboratório desde o início de Novembro de 1931",
assim começava a carta de Marie Curie que não sensibilizou o Governo português
para prorrogar a bolsa de estudo atribuída à cientista. Quem pegou no seu
trabalho fez descobertas importantes, mas a lisboeta foi obrigada a voltar a
Portugal, onde a mulher e a Ciência valiam pouco, muito embora já se caminhasse
no século XX. Doutorada aos 36 anos, diretora do centro de estudos de
Radioquímica do Instituto de Alta Cultura, só será professora catedrática,
efetivamente, em 1966, com 67 anos e tendo já contribuído grandemente para a
investigação científica do país, em especial, quanto à utilização da energia
nuclear para fins pacíficos.
Em 1956, a revista "Elle" elegeu-a a francesa do
ano. Vivia há algum tempo em França, todavia, não aceita a distinção, fazendo
lembrar que é portuguesa, nascida em Lisboa.
Mas, nesse mesmo ano, optaria pela nacionalidade do país que a acolhera. Optaria, logo depois de Oliveira Salazar lhe ter proposto aquilo que lhe recusara quase duas décadas antes, quando ela e o marido quiseram ser cidadãos lusos e o ditador a chantageou, condicionando a aceitação ao divórcio. Maria Helena Vieira da Silva perdera a cidadania ao casar-se, aos 22 anos, com o pintor Arpad Szenes, judeu apátrida nascido na Hungria, o amor da sua vida... Só na década de 70 do século XX, Portugal reconhecerá que o seu talento para a pintura fazia História.
Mas, nesse mesmo ano, optaria pela nacionalidade do país que a acolhera. Optaria, logo depois de Oliveira Salazar lhe ter proposto aquilo que lhe recusara quase duas décadas antes, quando ela e o marido quiseram ser cidadãos lusos e o ditador a chantageou, condicionando a aceitação ao divórcio. Maria Helena Vieira da Silva perdera a cidadania ao casar-se, aos 22 anos, com o pintor Arpad Szenes, judeu apátrida nascido na Hungria, o amor da sua vida... Só na década de 70 do século XX, Portugal reconhecerá que o seu talento para a pintura fazia História.
1
CESINA BERMUDES (1908-2001)
Acreditava que se faziam várias passagens pela Terra para
aperfeiçoar o espírito e, desta feita, só se dedicou à investigação
científica... formou-se em Medicina, especializou-se em Obstetrícia, doutorou-se
com 19 valores, introduziu em Portugal o parto sem dor, defendeu os direitos
das mulheres, inscreveu-se no Partido Comunista para combater o salazarismo,
ajudou a nascer inúmeros bebés de mães perseguidas pela ditadura que também a
há de prender... ainda se interessou pela literatura e pelo desporto. Mas, para
si, a Medicina foi tudo.
1 SOPHIA DE MELLO BREYNER (1919-2004)
Nascida no Porto, de origem
dinamarquesa pelo lado paterno e educada num meio aristocrático, esteve muito
cedo ligada à luta antifascista e, a seguir ao 25 de Abril, foi deputada à
Assembleia Constituinte. Dedicou-se à poesia, aos contos e fez também algumas
traduções. Em 1999 recebeu o Prémio Camões, o mais prestigiante galardão da
literatura lusófona. Até então nunca tinha existido um português a receber esta
distinção. Em 2003, conquistou o célebre Prémio Rainha Sofia da Poesia
Iberoamericana. Está sepultada no Panteão Nacional.
Cantora, fadista, atriz de teatro,
cinema... é uma das grandes cantoras mundiais do século XX, a maior voz do fado
português. Foi idolatrada em Portugal e não só. Mulher intuitiva que não se
sentia fadista, sim artista... que dizia dever o êxito à tristeza, ao medo, à
timidez... que dizia que cantava, cantando... que dizia ter ganho o direito de
ser só Amália e não Dona Amália, como lhe chamavam os admiradores, por julgarem
mostrar, assim, mais respeito pela mulher que levou o fado ao mundo e, ao longo
de meio século, gravou mais de centena e meia de discos, entrou numa dezena de
filmes, deu inúmeros espetáculos. E não fez mais porque não quis. Graças a ela,
o fado começou a ser conhecido e apreciado em vários países. Encontra-se
sepultada no Panteão Nacional.
AGUSTINA BESSA LUÍS (1922)
Autora de mais de cinquenta obras,
entre romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas
de viagem, ensaios e livros infantis, é
traduzida para alemão, castelhano, dinamarquês, francês, grego, italiano e romeno.
O seu livro-emblema, A
Sibila, já atingiu a vigésima quinta edição.
Além da atividade literária, foi
membro do Conselho Diretivo da Comunitá
Europea degli Scrittori (Roma). Colaborou em várias publicações periódicas, tendo sido diretora do
diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direção do Teatro Nacional D. Maria II (Lisboa) e foi membro
da Alta Autoridade para
a Comunicação Social. É ainda membro da Academie Européenne
des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa (Classe de Letras).
NATÁLIA CORREIA (1923-1993)
Açoriana de São Miguel, deixou a ilha aos 11 anos, e rumou a
Lisboa para estudar. Fez da vida aquilo que poucas contemporâneas suas se
puderam gabar, tornando-se numa das grandes figuras do século XX. Romancista,
poetisa, boémia, dramaturga, ensaísta, deputada, proprietária de uma loja de
antiguidades, dona de um bar... Natália Correia, com as suas écharpes, longas
boquilhas e um grande talento oratório, distinguiu-se pela inteligência e pela
obra. "Eu pareço entusiástica, exuberante, mas é só por fora. É a minha
forma de me libertar das tensões que as pessoas mordem dentro de si.
Interiormente, tenho a imobilidade de um ídolo oriental. Mas não sou fria. Sou
até um ser profundamente afetivo", disse.
1
CATARINA EUFÉMIA (1928-1954)
Jovem mulher do campo, analfabeta,
que nasceu e viveu na aldeia alentejana de Baleizão. A 19 de maio de 1954,
acompanhada por 13 colegas ceifeiras reclamou, junto do feitor, melhorias
salariais. Este, sentindo-se em perigo, deslocou-se a Beja para chamar o dono
das terras e a GNR. Ao chegarem ao local, Catarina terá dito ao Tenente
Carrajola que estavam ali porque exigiam uma vida melhor. A resposta não
agradou e o tenente deu-lhe um murro. De seguida, Catarina terá dito que só
faltava mesmo matarem-na. Sem hesitação, o tenente Carrajola disparou
3 vezes. Catarina, que tinha ao colo um dos seus 3 filhos (que era o mais novo,
tinha 8 meses), acabou por
falecer. Foi assim, sem dúvida, uma figura que lutou contra o Estado Novo.
1
MARIA DE LOURDES PINTASILGO (1930-2004)
Foi a
primeira (e até hoje a única) Primeira-ministra de Portugal. Ocupou esse cargo
entre junho de 1979 e janeiro de 1980. Em toda a Europa era a terceira mulher a
assumir um lugar daquela dimensão. Era licenciada em Engenharia Químico
Industrial, um curso que, na época, tinha apenas 3 mulheres como estudantes. Foi eleita, por quatro anos, membro do Conselho Executivo da
UNESCO, por proposta dos países ocidentais, durante a Conferência Geral de
1976, realizada em Nairobi, pelo reconhecimento das suas capacidades na
resolução de problemas difíceis e pelo seu conhecimento profundo em matérias
como ciência, educação e cultura.
PAULA REGO (1935)
Uma das figuras proeminentes
da arte portuguesa, com vida e obra em Londres,
é com naturalidade que expressa influências das escolas de lá mas é também com
prazer que discursa no seu país a partir da sua linguagem pictórica e plástica.
O seu espólio criativo posiciona-se pelo mundo, destacando-se Portugal e Inglaterra como
os sustentáculos de uma carreira vivida e em constante mutação. Grande parte do
seu trabalho inclui, como temáticas, o folclore tradicional e os contos e
efabulações que conheceu em criança, contrastando o novo com o velho e juntando
o humano com o animal. Recebeu um doutoramento honorário na Winchester School of Art,
na Universidade de Oxford e
na Rhode Island School of Design.
Para além disso, em Portugal, recebeu a Grã-Cruz
da Ordem de Sant’Iago de Espada em 2004.
MARIA JOÃO PIRES (1944)
Natural de
Lisboa, atualmente reside no Brasil. Aos cinco anos deu o seu primeiro recital
e aos sete tocou publicamente concertos de Mozart. Embora tenha decidido deixar
de ter a nacionalidade portuguesa há alguns anos, pode considerar-se como a
pianista portuguesa mais famosa de sempre. Ganhou fama internacional em 1970
quando venceu, em Bruxelas, o concurso internacional que marcava os 200 anos do
falecimento de Beethoven. Desde então tem feito concertos em várias partes do
mundo, tocando Bach, Mozart ou Beethoven. Europa, Canadá, Japão, Israel e
Estados Unidos, são os locais onde mais toca. Em 2015 conquistou o Gramophone,
o prémio de maior prestígio que distingue os melhores artistas da música
clássica.
Nascida no
Porto, é uma das grandes referências do atletismo mundial do século XX. Entre
várias conquistas, a que se destaca é a medalha de ouro obtida na maratona dos
Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. Um feito que deixou os portugueses
surpreendidos e orgulhosos. Foi a primeira portuguesa a conseguir alcançar o
ouro na maior competição desportiva do mundo.
E MUITAS, MUITAS OUTRAS …
“Se virmos a realidade, as mulheres são mais sólidas, mais objetivas, mais sensatas. Para nós,
são opacas: olhamos para elas, mas não conseguimos entrar lá dentro. Estamos
tão empapados de uma visão masculina, que não entendemos. Em contrapartida,
para as mulheres nós somos transparentes.”
José Saramago
Nobel da Literatura 1998
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