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Ainda o Concurso de Escrita Criativa...

O Grupo 3, 11º e 12º anos, tinha como tema Este é o único tempo para...
A vencedora do 1º prémio não é aqui identificada.
Seguem-se os textos:


Este é o único tempo para…
Ser Outro na Hora da Amargura, Reinar. Poder correr sobre as águas que nos reflectem, mas não nos apanham. Poder inspirar o ar que está dentro de nós próprios e expirá-lo, de imediato, sem entraves que nos deixem ficar sem oxigénio. As árvores contribuem e nós agradecemos. Agradecer também às nuvens e aplaudi-las, frente a frente. Porquê? Porque nos proporcionam o maior dos espectáculos de teatro. Tomara eu ser como elas, actrizes até morrerem. Mas o meu papel tem curta duração. A cena termina daqui a instantes e não há encenador que a salve.
Começa então uma nova era. Um tempo que nos vai pesar nos ombros, tanto que nos agarra de tal maneira ao chão que sentimos o calor do interior do planeta. É a única chama que nos aquece o corpo (con)gelado dos dias em que o sol limpou o céu. Quando o que elas querem é trancarem-nos todas as portas que florescem pelo caminho sem dar tempo para a primeira rega e deixar aberta aquela que tem raízes cravadas e já secas. Elas quem? Só lhes conheço o apelido: responsabilidades. Nunca lhes perguntei o nome e a vocês também não vos deveria interessar. Elas vêm de uma família egoísta, invejosa e de poucos amigos (é o que se comenta). Então, porque não as ignoramos ao passar na rua? Porque os nossos pais, desde que somos pequeninos, nos obrigaram a conhecê-las, com o pretexto de que só assim nos tornaríamos grandes pessoas no futuro (esta conversa é-vos bem familiar, correcto?). Grandes? A mais alta das irmãs mede um metro e meio. São condicionadas. Diz-se por aí que todos os dias tomam os medicamentos prescritos pela idade adulta que as impede de chegar às prateleiras com o pó da juventude que, entretanto, desapareceu. Diz-se, também, que só temos uma certeza na vida: a morte. Eu estou quase certa da segunda: que me vou tornar um membro dessa família que detesto e acabar no esquecimento daqueles a quem hoje entrego o meu coração.
Mas chega! Chega de falar nesse tempo longínquo prestes a chegar à costa, chega de dar um passo em frente quando a jornada ainda não começou, chega de pensar na hora que o relógio ainda não marcou. Porque aí estamos a condenar-nos à entrada prematura naquele tempo que deixou de ser único porque nós o deixámos de ser; de nos diferenciar dos outros; de lutarmos pela singularidade que nos faz amar mais e ser amados.
Agora faço do lápis um espelho de tudo aquilo em que acredito: acredito que este é O tempo, esta é A hora que o relógio não marcou, mas porque passou sem que déssemos por isso. E essa hora, para mim, é agora. E todos os “agora” da nossa vida devem ser desfrutados enquanto fracção de segundo que são (é isso que lhes vai conceder uma maior intensidade). Caso contrário, serão apenas um “ontem” que passou; um passado. É aqui que a história fica mais complicada. É que esta é uma das filosofias de vida mais complicadas de concretizar. Quem o pensou, decerto a deixou para que os outros a tentassem.
Neste tempo em que me encontro, ainda existe uma certa facilidade em dar real importância às pessoas que todos os dias conquistamos (as que se desprendem de vergonha e choram nos nossos braços), em sentir o resfriar do pôr-do-sol com alguém ao nosso lado, que não precisa de um rótulo. É relativamente mais fácil confiar numa mão que nos oferece ajuda. São mais frequentes os momentos em que dizemos o que pensamos, sem pensar no que havemos de dizer. Porque o meu dicionário, por enquanto, não contém o significado de amarras, por muito que pareça que sim. As regras, ao contrário do que pensamos, são apenas um porto de aterragem que permite que o voo decorra com conta, peso e medida. Mas também é agora (desta vez um agora mais prolongado) que são essas mesmas as regras que eu posso quebrar! É agora que faz sentido que a rota seja desviada para um lugar desconhecido, que o avião chegue atrasado ao aeroporto, que aterre num sítio inesperado ou até mesmo que tenha uma avaria no motor. Dessa avaria vai depender o resto da viagem, consoante o conserto que lhe dermos. Nesta altura, todos nós nos sentimos desorientados, guardando todos os conselhos que nos oferecem, o que mais tarde talvez deixe de acontecer. Primeiro que tudo, porque a generalidade das pessoas mais velhas evita a ocorrência de uma avaria, por mínima que ela seja. O percurso que primeiramente é traçado, é para ser escrupulosamente cumprido, sem problemas técnicos de última hora. Segundo: no caso de isso EVENTUALMENTE acontecer, acham-se sabedoras de tudo, capazes de acartar às costas este mundo e o outro, de lidar com as situações sem interferências de terceiros. Para elas (será um dia para mim?) singrar na vida exige um pré-requisito: serem moldes onde não são necessárias grandes alterações.
Mas para quê tantas interrogações? Serei? Será? Eu sei o que quero que seja: a excepção à regra. Porque a vida não é como a literatura (já o dizia um grande professor), em que apagamos e escrevemos de novo, um dia não vou poder sublinhar o que não valorizei, nem vou ter ao meu dispor cores suficientes para dar brilho ao que anteriormente fechei os olhos.
Agora, sem metáforas que nos deixam baralhados, sem segundos sentidos que nos trocam as voltas, sem reticências que nos obrigam a pensar: Este é o meu único tempo para ser feliz por mim e à custa dos outros, para mim e não para os outros.

Este é o único tempo para…

Este é o único tempo para olhar o mar e sentir a paixão das ondas a abraçarem-nos os pés, é o único tempo para sentir o vento nos cabelos, ao galopar pelos campos áridos do Alentejo.
Este poderá ser o único tempo para dar valor aos encantos das brincadeiras, dos “faz de conta”, das partidas…
Como saberemos que será o único tempo para? Não sabemos, e isso é que faz com que queiramos aproveitar as maravilhas da natureza, é isso que nos faz encontrar a beleza num ínfimo pormenor que chama a atenção do nosso olhar.
Para quê esperar por outra noite se podemos aproveitar esta? Para quê esperar outra ocasião se esta nos surgiu? Para quê esperar pelo palco se a vida já é um show?
Só quero rir, cantar, olhar para o céu e contar as estrelas, abraçar os meus amigos e sentir o aperto no estômago quando gosto de alguém… e quero fazê-lo de muitas formas e diversas vezes.
Quero falar de mar, quero exprimir o bem-estar que me provoca quando me refresca, quando me permite entrar no seu mundo desconhecido, que me conforta e acolhe! Quero agradecer-lhe por me apresentar às ondas e aos peixes, ao sol e à areia e quero fazê-lo porque este talvez seja o único tempo para o fazer!
Quero casar-me, ter filhos, encontrar o meu príncipe borralheiro… Quero transmitir-lhes todas as boas sensações que já experienciei e quero que também eles me transmitam muitas mais! Quero andar no baloiço a ouvir música alta, quero trepar as árvores e criar o meu pequeno mundo onde as formigas falam, os peixes cozinham e as sereias existem; quero andar nua pela praia como quando era pequena, quero nadar para lá do horizonte, quero ir apanhar o pote de ouro na ponta do arco-íris e conhecer o duende protector, quero conhecer o Pai Natal e ajudá-lo a viajar pelo mundo, conhecer o Rodolfo e dar-lhe ervinha fresca, quero brincar às princesas e aos príncipes e mandar bilhetes para os meus amigos durante as aulas… Mas talvez já tenha passado o único tempo para fazer estas coisas…

Mariana Pinto, 11ºF

Este é o único tempo para...

Basicamente, o corpo humano regenera-se a cada seis meses. Durante esse período quase todas as células do cabelo, pele e ossos morrem e dão lugar a novas. Isto significa que já não és quem eras Novembro passado.
Com o tempo tudo muda mas este é o único tempo para dizeres a ti mesmo que és suficientemente bom. Esta é a tua vida. Faz o que gostas e fá-lo frequentemente. Se não gostas de alguma coisa muda-a. Se te queixas de que não tens tempo suficiente, larga a televisão e o computador. Vai ler um livro, vai ajudar alguém ou vai brincar com a tua irmã; sê útil. Mostra aos teus pais que és um motivo de orgulho e mostra-lhes que eles também são um orgulho para ti.
Não penses demais, a vida é simples. Abre a tua mente, os teus braços e o teu coração a novas experiências e a novas pessoas. Apaixona-te. Algumas oportunidades só aparecem uma vez: aproveita-as. A vida é aquilo que fazes dela, as pessoas que conheces e o que crias quando estás com elas. Portanto, sai à rua e começa a criar. Vive os teus sonhos. Cada dia que passa é mais uma oportunidade que tens para mudar o achas que não está bem. Assume responsabilidades, toma a iniciativa, participa. Acrescenta vida aos teus dias, não dias à tua vida.
Mantém a calma, relativiza os problemas e sê optimista. Acima de tudo, não deixes que algo ou alguém insignificante estrague o teu dia. Diz não ao drama, aos preconceitos e às opiniões não fundamentadas.
Confia na tua família e nos teus melhores amigos, eles são os super heróis que te vão apanhar quando caíres.
Sorri, ri às gargalhadas.
Quanto aos desenquadrados, aos rebeldes, aos criadores de problemas, àqueles pensam de forma diferente, que não gostam muito das regras e que não têm qualquer tipo de respeito pelo status quo, a única coisa que não podemos fazer é ignorá-los. São génios, são os únicos com coragem suficiente para pensar que conseguem mudar o mundo (e no fim são de facto eles que o fazem). Por isso não fiques parado, não te sentes nem aguardes pelo destino ou por algo te seja superior: são apenas desculpas para esperares que as coisas aconteçam em vez de as fazeres acontecer efectivamente.
Sê extraordinário, faz tudo o que fazes com paixão ou então nem vale a pena. Sobe os padrões, exige o máximo de ti próprio. Pesquisa, aprende, enriquece-te como pessoa.
Conserva a tua integridade e a tua dignidade e faz sempre o que está correcto mesmo que ninguém esteja a olhar.
Lembra-te de que o tempo que te deu prazer desperdiçar não foi de todo desperdiçado e que se pensares bem, nunca vais ser tão novo como és neste preciso momento (ainda assim, não tenhas medo de crescer: é um privilégio negado a muitos).
Quando é que foi a última vez que fizeste algo pela primeira vez? Este é o tempo. E, neste tempo, o objectivo é simples: ser feliz. Não há uma chave para isso porque a porta está sempre aberta.

inês paiva n10 11F    maio 2011    Esqm

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